Querida bipolaridade,
É complicado te acompanhar, sentar do lado do passageiro e te deixar me levar para qualquer lugar. Há lugares ótimos que visitamos, fazemos compras, bebemos algumas (na maioria das vezes muitas) doses de álcool, marcamos encontros com pessoas desconhecidas para uma noite memorável e momentos únicos. Não pensamos em consequências, só desejamos ir. E vamos.
Tanta energia, tanta libido, tantos projetos e tantos sonhos. Conquistar o mundo? Fácil. Ideias novas? Sempre. Arriscar? Por que não? Se apaixonar por cada encontro? Fato.
Dias se passam.
Não tem mais nada disso. Tem uma caixa de lítio na mesinha do lado da cama. Um estabilizador de humor. Vontade alguma de sair da cama, de tomar banho mesmo quando sabe que precisa, uma casa toda bagunçada e que não faz mais sentido arrumar.
Um travesseiro cheio de lágrimas junto a uma coberta enrolada no corpo. Desejo de tomar todos os remédios possíveis e dormir eternamente. Vontade de fugir de si, por estar ficando sem forças para enfrentar tanto caos. As memórias já estão tão confusas.
O mapa com o caminho nunca existiu, foi mudando em cada rota. Chegamos aqui. Paramos o carro ou estamos dirigindo para a ponta do precipício?
Me deixe ir.
♡ Catarina (p-pasargada).